Assentimento e consentimento são dois conceitos relativamente novos na Terapia ABA e que ainda estão passando por muitos debates, mas que já surgem como questões importantes na comunidade científica, pois significa sobretudo um avanço da prática clínica da análise comportamental aplicada.

Faz parte da ciência evoluir e melhorar suas práticas e de fato muitas coisas mudaram positivamente desde a criação da Terapia ABA, principalmente sob a influência do fortalecimento das pautas dos movimentos pela neurodiversidade, a luta pelos direitos das Pessoas Com Deficiência (PCD) e contra o capacitismo na nossa sociedade.

Para o profissional ABA contemporâneo é muito importante compreender esses conceitos de assentimento, inclusive para buscar soluções para melhorar os comportamentos do cliente sem que isso signifique uma violação do espaço e dos seus direitos enquanto indivíduos.

Por isso, vamos apresentar rapidamente esses conceitos e a diferença entre os dois para que possamos falar de forma mais aprofundada nos próximos textos.

O que é consentimento?

Consentimento é quando damos a permissão legal. Por exemplo, toda família que busca um atendimento ABA para a sua criança assina um contrato dando um consentimento informado. Eles dizem que sim, desejam receber os serviços ABA que estão sendo oferecidos e estão não só concordando, mas dando a permissão necessária para trabalhar com a criança.

O consentimento é, portanto, considerado uma permissão na esfera legal.

E o assentimento?

Já o assentimento é um conceito que lida com algo mais subjetivo, ligado à ética e à moral da relação entre o profissional e o cliente. Seria um consentimento dado por uma pessoa que não tem o direito legal para dá-lo.

Como assim? Veja bem, para você assinar um contrato você precisa ter algumas características para que o mesmo tenha validade: você precisa ser maior de idade, ter ciência do que está escrito no contrato, confirmar essa ciência a partir de uma assinatura, entre outros quesitos básicos. 

O assentimento é o consentimento de quem não atende todos esses quesitos legais. É o caso das crianças e pessoas com algum tipo de deficiência intelectual, por exemplo. O assentimento indica uma concordância de que a pessoa que está sendo atendida diretamente tem o real interessada em se engajar nas atividades propostas pela terapia. 

Sim, ter o consentimento dos pais ou tutores é fundamental. Mas isso não pode se sobrepor aos sentimentos que a pessoa que está recebendo diretamente o atendimento a respeito da vida dela. 

E como o profissional ABA pode saber se há o assentimento?

Algumas linguagens são universais e servem como sinais claros de assentimento mesmo, mesmo quando do outro lado esteja uma pessoa sem habilidades verbais bem desenvolvidas. 

Se o cliente sorri quando o terapeuta entra na sala, por exemplo, é um sinal de que há o assentimento para iniciar a sessão. 

Quando esse cliente se aproxima do profissional ABA ou dos materiais que serão usados 

durante o atendimento, ele claramente está dando um sinal de que possui o interesse de se engajar na atividade preparada. Ou, como muitas vezes acontece, quando a pessoa continua no ambiente mesmo após o tempo da terapia. 

Tudo isso são sinais que podem ser aferidos facilmente pelos aplicadores ABA. Aquele indivíduo está sim se sentindo feliz, seguro e relaxado com tudo o que lhe está sendo proposto. Ou seja, está lhe dando o assentimento necessário para continuar.

Quer saber mais sobre o assunto? Confira um vídeo muito legal a respeito aqui da doutora Valeria Parejo. Ela explica muito bem essa questão durante a 3ª Jornada da Análise do Comportamento.

A Terapia ABA possui alguns conceitos importantes que todo analista comportamental precisa compreender. São as chamadas 7 dimensões do ABA, que têm sido usadas por décadas para implementar com sucesso intervenções baseadas em pesquisas claras e eficazes para os clientes. 

Essas dimensões são usadas ​​no planejamento do tratamento para aqueles que recebem terapia ABA, principalmente pessoas com autismo ou outros transtornos de desenvolvimento, para garantir que as necessidades de cada cliente sejam atendidas de forma científica e baseada em dados.

Essas 7 dimensões são:

Efetividade:
A intervenção analítica comportamental precisa promover melhora, mudança comportamental em uma direção tal em que possamos ver ganhos clínicos como aumento de repertórios ou redução de dificuldades na inclusão social.

Os efeitos eficazes e clinicamente significativos fazem uma diferença significativa. Refere-se a resultados práticos – a intervenção se mostrou eficaz ou não.

Para isso, precisa definir quais são os comportamentos que devem aumentar ou reduzir as frequências. Apenas a partir disso podemos identificar a dimensão do comportamento a ser medida e se as mudanças antes, durante e após a intervenção foi realmente efetiva.

Analítica:
Significa que existe uma relação funcional. O analista do comportamento deve trabalhar a partir da compreensão de como os indivíduos se comportam ou das funções do comportamento. Precisamos entender como esse comportamento pode ser mantido, ou como historicamente foi mantido por suas consequências. Ou seja, que haja a identificação das relações funcionais entre o comportamento e as variáveis ​​ambientais. 

Generalidade:
Quer dizer se o comportamento é transportado para outros contextos que não apenas o ambiente de treinamento.

Em outras palavras, se a mudança de comportamento se mostra durável ao longo do tempo, aparece em uma ampla variedade de ambientes ou se espalha para uma ampla variedade de comportamentos relacionados. Concentra-se em efeitos duradouros ao longo do tempo. A intervenção foi testada ao longo do tempo? Essa é uma pergunta que os analistas precisam responder. 

Apliável:
O analista do comportamento precisa entender quais as necessidades da pessoa autista, da comunidade e das pessoas que se interessam com aquela pessoa e trabalhar nos comportamentos significativos desse indivíduo. 

Tecnológico:
São protocolos e procedimentos que dizem respeito a quão bem os princípios básicos, já organizados em termos de procedimentos e protocolos da análise do comportamento, estão sendo implementados para que se possa verificar quais os componentes do tratamento que fazem realmente diferença para a pessoa autista. E principalmente, se é possível ser descrito e replicado em outros momentos, no caso de sucesso.

Conceitualmente Sistemático:
O analista do comportamento não pode usar de estratégias que não sejam pautadas pelos princípios básicos do comportamento. Isso quer dizer que estratégias ou propostas alternativas não vão passar pelo crivo do que se chama de uma intervenção analítico-comportamental.

Isso significa que o praticante está usando os princípios básicos de mudança de comportamento da ABA, ao contrário de outros métodos de outras filosofias ou disciplinas.

Comportamento

Como não podia deixar de ser, o comportamento é algo central no ABA. Ele deve ser observável e mensurável para que seja alterado.  Esse comportamento adequado ou desejável e, principalmente, ser medido. Os analistas de comportamento desejam aumentar alguns comportamentos e diminuir outros. Também é importante descrever a “mudança de comportamento” em termos de como a vida da criança mudou, ao invés de apenas seu comportamento.

Sua criança tem o direito à uma inclusão inclusiva, sim! Sabemos que muitas vezes as barreiras colocadas para a matrícula das crianças em escolas, particulares ou públicas, parecem intransponíveis. Principalmente, quando as instituições de ensino se valem de decisões judiciais que beiram o absurdo. Mas a verdade é que isso está na lei e ela precisa ser cumprida.

Desde 2016, com a promulgação da Lei Brasileira de Inclusão (LBI) (também conhecida como Estatuto da pessoa com deficiência), o poder público tem a obrigação de assegurar e promover em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais da pessoa com deficiência, visando a sua inclusão social e a cidadania. Essa determinação envolve todos os níveis de ensino da escola regular, seja ela pública ou privada.

Leia também:  A inclusão é um direito!

Falando especificamente do acesso à educação inclusiva, a lei prevê multa e reclusão a gestores que neguem ou dificultem o acesso de estudantes com deficiência a uma vaga, proibição de cobrança de valor adicional nas mensalidades e anuidades para esse público e a oferta de um profissional de apoio quando necessário.

Mais que isso, a escola (seja ela pública ou privada) não pode negar a matrícula de crianças com qualquer tipo de deficiência.

O que exatamente está garantido por lei?

Toda criança com deficiência tem direito ao chamado atendimento educacional especializado (AEE) no contraturno escolar. No caso das crianças com transtorno do espectro autista (TEA) têm direito a um profissional de apoio em sala de aula.

Segundo a legislação, esse profissional de apoio pode exercer atividades de alimentação, higiene e locomoção do estudante com deficiência e atuar em todas as atividades escolares nas quais se fizer necessária, em todos os níveis e modalidades de ensino, em instituições públicas e privadas. 

O que fazer se a LBI não for respeitada?

Vamos lembrar que é crime Recusar a matrícula ou dificultar o acesso de estudantes com deficiência à escola comum;  cobrar valor adicional nas mensalidades e anuidades escolares devido à deficiência; e  descumprir qualquer outra das determinações previstas na Lei brasileira de inclusão (LBI).

Se após as tentativas de diálogo com a instituição de ensino se esgotarem, os pais e tutores devem contatar a área de educação inclusiva da Secretaria de Educação do município e, oportunamente, o Ministério público (MP). O MP pode ser acionado pessoalmente, em uma de suas unidades físicas, como também pelo site www.mpf.mp.br/para-o-cidadao/sac.

(Texto feito com informações do site Diversa. Visite para ver mais textos sobre o assunto)

A oxitocina (um hormônio de ocorrência natural que atua como um mensageiro químico no cérebro) não mostrou qualquer evidência de ajudar crianças com autismo no desenvolvimento de habilidades sociais, de acordo com um grande estudo internacional publicado em 13 de outubro no New England Journal of Medicine.

Embora decepcionante para aqueles que têm esperança de que a oxitocina possa beneficiar crianças com autismo, a descoberta há muito esperada fornece clareza para uma droga que mostrou resultados mistos em estudos menores e menos robustos.

Para a principal investigadora e autora do estudo, Linmarie Sikich, professora consultora associada do Departamento de Psiquiatria e Ciências do Comportamento da Duke University School of Medicine, o resultado foi decepcionante. “Havia muita esperança de que esta droga fosse eficaz. Todos nós da equipe de estudo ficamos extremamente desapontados, mas a oxitocina não parece mudar a função social das pessoas com autismo.”

O que é a oxitocina?

A oxitocina é normalmente usada para induzir o parto, mas por causa de sua atividade no cérebro, foi investigada como um tratamento para o autismo. As evidências têm sido conflitantes, com vários estudos menores sugerindo que melhorou a função social e cognitiva entre algumas crianças com autismo, enquanto outros estudos não mostraram nenhum benefício.

Sikich e colegas, incluindo o autor sênior Jeremy Veenstra-VanderWeele, MD, do Instituto Psiquiátrico do Estado de Nova York e da Universidade de Columbia, projetaram o estudo em vários locais para fornecer as melhores evidências sobre se a oxitocina era um tratamento seguro e eficaz para crianças dentro do espectro.

Como se deu o estudo?

A equipe de pesquisa inscreveu 290 crianças de 3 a 17 anos, estratificadas por idade e gravidade dos sintomas de autismo. As crianças foram randomizadas em grupos de tamanhos iguais e semelhantes para receber oxitocina ou um placebo por meio de um spray nasal diário durante 24 semanas.

O estudo teve como objetivo verificar se o regime de oxitocina teria um impacto mensurável nas habilidades sociais das crianças com base em exames e avaliações no início do ensaio, no meio e no final. Os pesquisadores e os pais das crianças forneceram avaliações usando ferramentas analíticas padrão para o autismo.

Embora a ocitocina tenha sido bem tolerada e tenha poucos efeitos colaterais, ela não mostrou nenhum benefício significativo entre o grupo de crianças que a recebeu em comparação com aquelas que receberam o placebo.

“Milhares de crianças com transtorno do espectro do autismo receberam prescrição de oxitocina intranasal antes de ser testada adequadamente”, disse Veenstra-VanderWeele. “Felizmente, nossos dados mostram que é seguro. Infelizmente, não é melhor do que o placebo quando usado diariamente por meses. Esses resultados indicam que os médicos e as famílias devem insistir que há fortes evidências para a segurança e o benefício de novos tratamentos antes que eles o sejam. fornecido aos pacientes na clínica. ”

Sikich disse que não deve realizar nenhum outro estudo sobre a oxitocina, devido aos resultados negativos: “Nosso consenso como investigadores é que não há evidência neste grande estudo que seja forte o suficiente para justificar mais investigação da oxitocina como um tratamento para transtornos do espectro do autismo”.

Primeiras palavras atrasadas e irregularidades na fala são alguns dos sintomas mais comuns do diagnóstico do transtorno do espectro do autismo (TEA). Por isso, é normal que pais suspeitem que a criança tenha autismo quando ela fala apenas com parentes próximos e amigos, mas não com a escola ou com outros parentes.

Quando uma criança se descobre incapaz de falar com certas pessoas, isso é chamado de “mutismo seletivo”. Mas o que causa o mutismo seletivo? Está sempre vinculado ao TEA? Vamos mergulhar nessas questões.

O que é mutismo seletivo?

Algumas pessoas têm mutismo total, o que significa que não podem se comunicar verbalmente. Isso geralmente é devido a alguma forma de lesão cerebral ou distúrbio grave da fala. Mutismo seletivo significa que a falta de fala ocorre apenas em algumas situações. Como mencionado acima, muitas crianças com essa condição podem conversar com os pais e outros membros da família.

Elas também podem se comunicar com amigos próximos e colegas de classe selecionados. Mas com qualquer outra pessoa, possuem dificuldades de falar, não necessariamente sem vontade. Algumas crianças com mutismo seletivo podem responder com métodos não-verbais, como gestos com as mãos, enquanto outras nem mesmo respondem.

O mutismo seletivo é um distúrbio reconhecido no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais DSM-5 ). Ele especifica que os seguintes requisitos devem ser atendidos para um diagnóstico de mutismo seletivo:  

  • A falta de fala não está ligada à falta de fluência no idioma
  • A condição dura pelo menos um mês
    • Este mês não deve ser o primeiro mês de aula, pois pode ser normal que os alunos sejam tímidos
  • Isso interfere no sucesso acadêmico, ocupacional e / ou social da pessoa
  • Não pode ser melhor explicado por um distúrbio de comunicação ou fluência
  • Não ocorre exclusivamente por causa da esquizofrenia, autismo ou outros distúrbios (mais sobre isso mais tarde)

Os pais geralmente notam o início dos sintomas por volta dos três a quatro anos de idade, quando as crianças entram na pré-escola. Estima-se que 0,2% a 0,8% das crianças possuam mutismo seletivo e que mais meninas são diagnosticadas do que meninos. O distúrbio é mais comum em crianças, mas pode durar até a idade adulta.

Você pode ter mutismo seletivo e autismo?

A resposta curta é … é complicado. O DSM-5 estabelece uma fronteira entre os dois distúrbios, mas isso tem causado alguma confusão na comunidade clínica.

Steffenburg et al. (2018) estudaram a prevalência potencial de autismo em crianças com mutismo seletivo. No estudo, foram selecionados 97 participantes entre quatro e 18 anos com diagnóstico confirmado de mutismo seletivo. Nenhum deles havia sido diagnosticado com TEA, mas após uma triagem de autismo durante o estudo, os pesquisadores concluíram que 63% preenchiam os critérios diagnósticos para TEA.

Steffenburg et al. (2018) acreditam que os sinais de autismo podem passar despercebidos porque a falta de comunicação verbal passa a ser o foco principal dos pais e médicos. O artigo sugere que TEA e mutismo seletivo podem não ser mutuamente exclusivos, afinal, e que os profissionais devem procurar sintomas de ambos.

Também é importante notar que cerca de 40% das pessoas autistas têm transtornos de ansiedade comórbidos. Visto que a comunicação social costuma ser um desafio para crianças com TEA, a ansiedade social é particularmente comum. Isso fortalece ainda mais a relação potencial entre TEA e mutismo seletivo.

No entanto, Steffenburg et al (2018) notaram uma motivação diferente em seus participantes com TEA e mutismo seletivo. Embora a maioria das crianças com mutismo seletivo seja relacionada ao medo em um ambiente de grupo, os pesquisadores observaram que a falta de fala nessas crianças estava mais enraizada na teimosia e na falta de interesse social.

Mutismo seletivo e suas relações com o transtorno de ansiedade social e o transtorno do espectro do autismo, de Peter Muris e Thomas H. Ollendick, também enfatizou que a ansiedade não é o único fator possível para crianças com TEA. Eles também podem exibir mutismo seletivo porque não “entendem adequadamente situações sociais específicas ou têm dificuldades para ler as expressões faciais de outras pessoas, não sabem como responder às outra pessoas e/ou são menos interessado em se envolver na interação social”.

Muris e Ollendick concordam com Steffenburg que a ligação entre mutismo seletivo, transtornos de ansiedade e TEA precisa de mais atenção. Eles continuam dizendo “não vemos razão para que o TEA seja listado como um critério de exclusão para um transtorno de ansiedade – [mutismo seletivo] SM – embora seja permitido como uma condição comórbida para outros transtornos de ansiedade, incluindo [transtorno de ansiedade social] SAD.”

Meu filho ou filha tem mutismo ou autismo?

Como vimos, é possível que as crianças apresentem sinais de ambas as condições. Se seu filho tem TEA, o mutismo seletivo não será o único sintoma. Fique de olho em outras características, como:

  • Comportamentos auto estimulantes
  • Falta de contato visual
  • Sensibilidades sensoriais
  • Insistência nas rotinas
  • Possíveis colapsos ou desligamentos
  • Atrasos de fala e linguagem

Confira nosso artigo Principais sinais do autismo para obter mais informações sobre como detectar TEA em crianças pequenas.

Uma das maiores inimigas da ciência atualmente é a difusão de informações falsas. No mundo do autismo não é diferente e uma das principais desinformações envolvendo o tema é a ideia de que as vacinas causam o autismo. Mas aos poucos o cerco contra essas mentiras vai se fechando.

Em ação contra a desinformação dentro de sua plataforma, o YouTube informou que removerá vídeos sugerindo que as vacinas causam autismo, entre outras falsidades. A plataforma de vídeo, que é propriedade do Google, disse esta semana que está atualizando e expandindo suas políticas para lidar com o conteúdo prejudicial de vacinas.

O YouTube já proibiu conteúdo com informações imprecisas sobre as vacinas COVID-19 e a empresa disse que 130.000 vídeos foram removidos desde o ano passado por violarem essa política. Mas ideias imprecisas sobre outros tipos de vacinas continuaram se proliferando (e fazendo dinheiro) na plataforma.

Agora o YouTube decidiu que a política de vacinas COVID-19 não é o suficiente

“Temos constantemente visto falsas alegações sobre as vacinas contra o coronavírus se espalharem pela desinformação sobre as vacinas em geral, e agora estamos em um ponto em que é mais importante do que nunca expandir o trabalho que iniciamos com COVID-19 para outras vacinas”, diz o post “Política sobre Desinformação de Vacinas”, no blog oficial da plataforma.

“O conteúdo que alegue falsamente que as vacinas aprovadas são perigosas e causam efeitos crônicos à saúde, que as vacinas não reduzem a transmissão ou a contração da doença, ou que contém informações incorretas sobre as substâncias contidas nas vacinas, será removido. Isso inclui conteúdo que afirma falsamente que as vacinas aprovadas causam autismo, câncer ou infertilidade, ou que as substâncias nas vacinas podem rastrear aqueles que as recebem”, diz o post.

A política se aplica a declarações sobre vacinas específicas, como as para sarampo ou hepatite B, disse a empresa, bem como comentários sobre vacinas em geral.

O YouTube indicou que ainda permitirá conteúdo falando sobre políticas de vacinas, testes, bem como sucessos e fracassos históricos. Testemunhos pessoais também são permitidos, desde que não violem as diretrizes do site ou venham como parte de um canal com um padrão de hesitação à vacinação, indicou a empresa.

A mudança no YouTube ocorre depois que o Facebook assumiu uma postura mais dura quanto à desinformação sobre vacinas no início deste ano. A rede social disse que, durante a pandemia, retirará postagens com alegações desmentidas sobre o coronavírus e vacinas, incluindo aquelas sugerindo que “as vacinas são tóxicas, perigosas ou causam autismo” no Facebook e no Instagram. Grupos, páginas ou contas podem ser removidos de acordo com a política se compartilharem repetidamente esse tipo de informação incorreta.

O YouTube disse que as novas políticas entrarão em vigor imediatamente, mas levará mais um tempo para que sejam totalmente aplicadas.

Fonte: Disability Scoop

 

A palavra é difícil, e seu conceito é um pouco complexo. A psicomotricidade é o termo empregado para uma concepção de movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização. Basicamente, é a uma forma que uma pessoa tem de se expressar, se perceber e se sentir no mundo através dos movimentos do nosso corpo.

E por que isso é importante? Bem, lembre-se que muitos indivíduos com autismo encontram grandes dificuldades com a coordenações motoras fina e grossa, o que influencia seu reconhecimento corporal, a noção de espaço, por exemplo. Por isso, muitas vezes é necessário melhorar os movimentos do corpo e as relações com todas as dificuldades listadas acima.

“A psicomotricidade é a ferramenta perfeita para compreender isso, pois integra funções cognitivas sociais, simbólicas, de lateralidade (saber o que é esquerda e direita), psíquicas, emocionais e corporais e explica como a junção de tudo isso reflete no movimento da criança”, diz a Terapeuta Ocupacional da Casulo, Júlia Castro.

Além disso, a psicomotricidade também contribui com a socialização. Afinal, é através do nosso corpo que comunicamos nossos sentimentos, com gestos e expressões corporais. Então é importante que a pessoa, no caso a criança, se entenda e se perceba para poder se comunicar da melhor forma possível com o outro, o mundo e o ambiente.

Além de poder entender também o que o outro quer dizer com as suas expressões corporais. Pense no quão importante é para uma criança identificar sinais de incômodo, hostilidade, tristeza ou agressividade. É ou não, um tipo de conhecimento corporal interessante para o convívio social?

Arte, brincadeira e psicomotricidade

A melhor maneira de interagir com as crianças e trabalhar a psicomotricidade é através das brincadeiras. A terapeuta ocupacional utiliza o momento de diversão das crianças para observar o funcionamento emocional e motor da criança, utilizando de brincadeiras e jogos para corrigir alguma alteração nos movimentos.

Atividades artísticas são uma ótima ferramenta para isso. Um exemplo é o circo, que trabalha diversas formas de expressão corporal, utilizando do equilíbrio, da velocidade, flexibilidade e concentração de uma forma muito lúdica e divertida.

De acordo com Matheus Rocha, professor de Circo da Casulo, as aulas de artes circenses têm por objetivo trabalhar tanto as questões sociais envolvidas no momento compartilhado quando as habilidades motoras dos alunos.

“Em conjunto com o trabalho individualizado na terapia ocupacional e o atendimento dos terapeutas, o circo uma ferramenta poderosa de socialização e estímulos necessários para o desenvolvimento físico e motor”, explica o professor.

A terapeuta Júlia completa: “É um trabalho muito holístico, porque cada criança tem uma forma de se expressar corporalmente, de se movimentar, de responder com o corpo aos ambientes internos e externos”.

Chamamos de generalização quando um indivíduo aplica algo aprendido em uma situação específica em outra situação semelhante, sem que tenha havido um aprendizado extra para que aquilo ocorresse. Ou seja, quando o indivíduo transporta o comportamento aprendido na terapia para o dia-dia.

Parece algo simples, mas não é. Lembre-se que um dos grandes desafios para as crianças com autismo é exatamente transferir o comportamento aprendido e praticado no ambiente terapêutico para a “vida real” e é exatamente esse pulo que permitirá dar os passos necessários para a independência e melhora de qualidade de vida para esses indivíduos.

A generalização é uma parte muito importante para o aumento do repertório comportamental, porque mostra que a pessoa pode manter as habilidades ensinadas diretamente e ainda mostrar habilidades que não foram ensinadas diretamente em um ambiente novo.

Com a ela, queremos que o indivíduo peça algo que ela, sejam itens ou atividades, em momentos do dia-dia, como na escola, no parquinho, na casa – para ter acesso ao reforçador (o objeto ou atividade que a criança pediu) também nesses ambientes.

Por isso, para que a generalização ocorra, geralmente é preciso praticar de maneira consistente e sistemática – além de certa paciência.

Vamos dar um exemplo. Digamos que uma criança tenha dificuldades para comunicar que está com sono ou cansada. Na terapia, ela pode entender que ao dizer “estou cansada” ela poderá ter um tempo de descanso de uma atividade. A generalização ocorrerá quando, ao fazer compras no Shopping, a criança comunicar à família que está cansada para poder dizer que quer ir embora ou se sentar por alguns minutos, ao invés de engajar em comportamentos disruptivos, como se jogar no chão ou chorar.

A mesma ideia pode ser feita para obter um brinquedo, uma guloseima ou fazer alguma atividade que lhe agrade. A ideia com isso é substituir comportamentos disruptivos ou que não sejam apropriados. No lugar do chorou ou da pirraça, o pedido. Dessa forma, não só a comunicação entre criança e pais melhorará, como ela passa a ter mais habilidades comportamentais para lidar com outras situações ao longo de sua vida.

Se você já está familiarizado com ABA já deve ter escutado ao menos uma dessas palavras: antecedente, comportamento e consequência. O modelo ABC é uma ferramenta importante na análise de comportamentos e faz parte do dia a dia dos profissionais que trabalham com ABA.

O modelo ABC vem do inglês Antecedent-Behavior-Consequence (Antecedente-Comportamento-Consequência) e se baseia na ideia de que a maioria dos comportamentos que exibimos são aprendidos.
Esse modelo é uma forma de analisar os comportamentos e investigar suas funções. A partir dessa análise é possível, por exemplo, identificar quais os gatilhos de um comportamento-problema (como uma pirraça, por exemplo) e planejar estratégias e ferramentas que permitam que o indivíduo aprenda um comportamento mais adaptativo (como comunicar aos pais que está cansado e deseja interromper uma atividade).

Por isso, o modelo é uma ferramenta muito importante para analistas do comportamento realizarem suas avaliações, fazerem coletas de dados e planejarem intervenções. Vamos conhecer as etapas?

Antecedente
O antecedente é uma situação ou evento que antecede um comportamento. Às vezes, é descrito como o “gatilho” para o comportamento que se segue. Um antecedente pode ser um evento (telefone tocando, indo por uma rota diferente para escola), uma pessoa (o professor de música, mas não o professor de arte) ou objeto (sinal para parar, placa de biscoito) no ambiente, que indica que a pessoa irá fazer algo.

Comportamento
Um comportamento é qualquer ação que pode ser observada e contada ou cronometrada. Neste modelo, queremos definir comportamentos especificamente para que todos os que trabalham com crianças saibam o que está acontecendo quando observam a criança exibindo determinados comportamentos. Se engajar em uma brincadeira, escovar os dentes, pedir para ir ao banheiro, se jogar no chão quando chega a hora de ir para escola.

Consequência
Consequências descrevem o que acontece imediatamente depois, um efeito ou uma resposta a um comportamento. Algumas consequências são naturais, como ter atenção de um colega quando estiver brincando com ele. Outros são planejados, como remover a criança da brincadeira quando esta bate em alguém. Os comportamentos são aprendidos ao longo dos anos, por observação de outros, imitação ou sendo ensinados diretamente. Consequências são eventos que ajudam a manter comportamentos; isto é, torne mais provável que o comportamento continue. Por exemplo, uma criança aprende a levantar a mão na escola porque a professora a chama.

 

E a coleta de dados?
É importante que esse modelo seja colocado em prática através de um registro minucioso dos comportamentos, seus antecedentes e consequências. Só dessa forma é possível observar um padrão que pode explicar porque aquele comportamento ocorre e quais são seus reforçadores.

Aqui na Casulo Comportamento e Saúde já falamos sobre tratamento baseado em evidências científicas inúmeras vezes. Para nós, essa é uma questão muito importante, porque fala diretamente da efetividade e da qualidade das terapias e intervenções para o TEA.

O uso de tratamentos alternativos, sem validade científica e baseados em “achismos” pode significar um risco à saúde e prejuízo irreparável ao desenvolvimento de indivíduos com autismo. Diagnósticos relâmpagos e soluções milagrosas podem parecer um caminho mais fácil, mas além de não promoverem mais qualidade vida para as pessoas dentro do espectro, muitos deles podem até gerar outros problemas de comportamento ainda mais complexos.

É por isso que aqui na Casulo, ciência é coisa séria e base de todas as nossas ações. Da decoração para as festas de final de ano, até as atividades feitas nas “mesinhas”, todas as intervenções são pensadas por uma equipe multidisciplinar, supervisionadas por profissionais com qualificação adequada e aplicadas por terapeutas que são continuamente capacitados.

Ciência ABA

O método científico é feito a partir da observação, da coleta de dados, da checagem feita pelos pares e de resultados mensuráveis, porque é dessa forma que as descobertas podem ser reproduzidas, questionadas e aperfeiçoadas. É dessa maneira as intervenções são orientadas para terem resultados reais e melhorarem de fato a qualidade de vida das pessoas.

A Análise do Comportamento Aplicada (ABA) tem como princípio a utilização da ciência que trata do comportamento humano para orientar intervenções comportamentais que melhorem a qualidade de vida e ampliem o repertório de habilidades dos indivíduos.

Através de estudos científicos reconhecidos internacionalmente e com uma equipe altamente capacitada, supervisionada e com as certificações necessárias, a Ciência ABA é a única terapia que tem sua eficácia comprovada.

Já existem inúmeras iniciativas de legislações em estados brasileiros que preveem o orientações baseadas em evidências científicas nos tratamentos e práticas profissionais da área da saúde. Esse tipo de iniciativa, tanto para o serviço público, quanto para os planos de saúde, é fundamental para ampliar o acesso a tratamentos de qualidade e efetivos.

Hoje o Brasil ainda tem poucos profissionais devidamente qualificados para a implementação de programas ABA, mas é fundamental que o tratamento baseado em evidências científicas seja ampliado, popularizado e se torne acessível a toda a população. Só assim teremos cada vez mais profissionais interessados em buscar soluções científicas e capacitação adequada e famílias e autistas com acesso ao melhor tratamento possível.