Uma das formas de verificar se um atendimento ABA é de qualidade é através da certificação para analistas do comportamento. Ela é um selo de qualidade de agências reguladoras que comprova que aquele profissional tem formação acadêmica, experiência profissional e atende a parâmetros básicos para os profissionais da Análise do Comportamento Aplicada.

Além de ser uma garantia de qualidade para os clientes, a certificação também é uma segurança para os profissionais e uma forma de se diferenciar dentro do mercado. Por isso, entrevistamos as BCBAs e QBAs, Dra. Liliane Rocha e Dra. Ana Arantes, sobre a importante da certificação para profissionais da Análise do Comportamento.

“No Brasil, enquanto a profissão de analista do comportamento não é regulamentada, qualquer um pode dizer que é analista do comportamento. Então a certificação oferece um selo de garantia do seu treinamento, da sua prática e do seu compromisso com a profissão”, pontua Dra. Liliane.

“As certificações não existem para as profissionais acumularem diplomas, elas existem para proteger o público consumidor. Então quando as famílias buscam uma profissional certificada ela busca por uma profissional que tem uma formação, tem uma atualização e, mais do que isso, seguem determinados preceitos éticos e profissionais”, explica a Dra. Ana.

Dra. Liliane ainda pontua que a certificação para analistas do comportamento é uma forma do profissional demonstrar aos clientes que ele está preocupado com a qualidade do serviço que oferece e que está continuamente investindo na sua formação.

“Quando uma profissional busca a certificação, ela está procurando uma maneira de mostrar aos seus clientes que ela está tentando garantir o melhor atendimento possível, que os direitos daquele consumidor vão ser atendidos”, completa Dra. Ana.

Dra. Ana Arantes ainda destaca que a certificação tem um impacto muito positivo na carreira de profissionais, tanto com relação ao público que vai buscar seus serviços, quanto na realização profissional. “Planejar e buscar ativamente uma ativação é uma característica de uma boa profissional em ABA”, finaliza.

Para saber mais sobre esse tema, escute o podcast Cafezinho e Comportamento das Dras. Liliane Rocha e Ana Arantes, que teve a participação da nossa Diretora Clínica, Dra. Mylena Lima.

QBA, QABA, ABA… Se você acompanha conteúdos sobre a Análise do Comportamento Aplicada, certamente já escutou várias dessas siglas e, provavelmente, ficou confusa com algumas delas. Por isso, a Casulo Comportamento e Saúde veio esclarecer todas as siglas para você.

TEA (Transtorno do Espectro do Autismo)
Essa é a que mais conhecemos, certamente. Ela se refere ao Transtorno do Espectro do Autismo e não exclusiva da Análise do Comportamento Aplicada. As alterações no desenvolvimento que ocorrem no autismo incluem dificuldades nas habilidades sociais, comunicacionais e comportamentais. Aqui no blog a gente explica porque usamos o “espectro” para se referir ao autismo.

ABA (Applied Behavior Analysis)
Essa é a sigla em inglês para a Análise do Comportamento Aplicada, que aqui no Brasil ficou amplamente conhecida como Terapia ABA. A Análise do Comportamento Aplicada propõe uma abordagem dos comportamentos humanos baseada em princípios científicos e dados. Ela tornou-se mundialmente reconhecida após uma abrangente implementação para o tratamento de indivíduos com autismo com resultados muito positivos.

QABA (Qualified Applied Behavior Analysis Credentialing Board)
O Qualified Applied Behavior Analysis Credentialing Board é uma agência internacional que oferece treinamento e certificação para profissionais da Análise do Comportamento Aplicada. A QABA oferece credenciamento em 3 níveis: ABAT, QASP-S e QBA. Todas essas credenciais são obtidas a partir de diferentes critérios que levam em consideração a formação acadêmica, cursos de capacitação, experiência profissional, além de um processo avaliativo cuidadoso.

ABAT (Applied Behavior Analysis Technician)
Esse é o primeiro nível de credenciamento internacional para profissionais da Análise do Comportamento Aplicada. Os profissionais devem ter o ensino médio concluído, cursos de capacitação na área, 15h de experiência profissional supervisionada e recomendação do supervisor. Para obter a certificação é necessário cumprir todos os critérios estabelecidos pela agência e realizar uma prova de proficiência. A renovação da certificação precisa acontecer a cada dois anos e toda a atuação do profissional deve ser supervisionada por um profissional credenciado.  

QASP-S (Qualified Autism Service Practitioner-Supervisor)
Esse é o segundo nível de credenciamento internacional para profissionais da Análise do Comportamento Aplicada. Os profissionais devem ter o ensino superior concluído, cursos de capacitação na área, 500h experiência profissional supervisionada e recomendação do supervisor. Assim como nos outros níveis, é necessário que o profissional faça uma prova, comprove sua experiência e formação profissional.

QBA (Qualified Behavior Analyst)
Esse é o nível mais alto de credenciamento internacional para profissionais da Análise do Comportamento Aplicada. Os profissionais devem ter no mínimo uma titulação de mestres, cursos de capacitação na área, 1250h experiência profissional e 720h de experiência como supervisor. Além da prova, recomendações e da comprovação de experiência, o profissional deve passar por uma reunião com o comitê de credenciamento.

Além das certificações oferecidas pelo QABA, existem agências estrangeiras que oferecem certificação para profissionais da Análise do Comportamento. Um exemplo é o Behavior Analyst Certification Board (BACB), agência estadunidense que oferece certificações no nível de ensino médio (RBT), ensino superior (BCaBA), mestrado (BCBA) e doutorado (BCBA-D).

No Brasil, já foram aprovados requerimentos para que a Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental (ABPMC) possa oferecer certificações, mas elas ainda estão em fase de implementação.

As estereotipias estão entre as características principais do Transtorno do Espectro do Autismo e são uma grande preocupação de familiares e cuidadores de pessoas neurodiversas. No entanto, do ponto de vista da análise do comportamento, as estereotipias são um dos sinais do autismo, e não serão, necessariamente, um impeditivo para o desenvolvimento.

Existem dois tipos mais comuns de comportamentos estereotipados, os vocais e os motores. Mas eles podem se apresentar de diversas maneiras: gestos envolvendo a coordenação motora fina, como movimentos envolvendo os dedos e as mãos; repetições de sons, palavras ou frases logo após serem faladas ou emitidas e o uso de experiências sensoriais, como cheirar ou tocar objetos e pessoas são algumas das manifestações mais comuns.

De acordo com a Dra. Mylena Lima, as estereotipias costumam aparecer quando as crianças estão focadas em uma atividade (assistir um filme ou realizar uma tarefa acadêmica), em momentos que ela está entediada e não tem estímulos apropriados, ou quando a criança está se sentindo ansiosa, alegre ou superestimulada.

Quando é necessário intervir?

Em alguns casos, as estereotipias podem causar prejuízos no desenvolvimento infantil. Esses prejuízos correm especialmente quando o indivíduo apresenta poucas habilidades em várias áreas do desenvolvimento e muitos comportamentos relacionados a interesses e atividades restritas.

“Existe grande preocupação dos pais com relação a estereotipia, e muitas vezes analistas do comportamento são solicitados a programar estratégias para sua redução. De fato, é um comportamento que pode chamar a atenção para o modo diferente da criança se comportar e isto pode trazer preocupações acerca da inclusão social. Mas muitos autistas argumentam que as estereotipias não devem ser eliminadas, porque são parte do modo de ser dessas pessoas”, explica.

O artigo “Phonic and Motor Stereotypies in Autism Spectrum Disorder: Video Analysis and Neurological Characterization” (Lanzarini et al., 2021) aponta que cerca de 80% das crianças com TEA vão apresentar estereotipias, mas a Dra. Mylena pontua que as estereotipias não vão acontecer apenas em indivíduos com autismo, ela também pode ser observada em indivíduos neurotípicos. “Todos nós demostramos comportamentos estereotipados”, explica.

No entanto, a Dra. Mylena também ressalta que os comportamentos estereotipados em pessoa com TEA também podem, em alguns casos, trazer prejuízos  ao desenvolvimento infantil e que é compreensível que sejam uma fonte de muita angústia para os pais.

“Do ponto de vista do analista do comportamento, se a estereotipia não é uma barreira para o desenvolvimento infantil, nós não temos necessidade de reduzir esse comportamento. Por outro lado, a gente precisa sempre buscar estratégias para facilitar o desenvolvimento desse indivíduo”, pontua.

A Dra. Mylena ainda ressalta que é muito importante escutar a comunidade da neurodiversidade e que o papel do analista do comportamento não é o de eliminar ou “tratar” o autismo, mas sim possibilitar os indivíduos a entrar em contato com um ambiente em que ele possa fazer escolhas em busca de mais saúde e qualidade de vida.

 

Referência:

LANZARINI, Evamaria et al. Phonic and Motor Stereotypies in Autism Spectrum Disorder: Video Analysis and Neurological Characterization. Brain Sci, 2021 Mar 28;11(4):431.

Com o aumento da conscientização sobre o autismo, também tem aumentado a quantidade de diagnósticos e busca por profissionais e tratamentos adequados. No entanto, muitas vezes, ao identificar os sinais do autismo nas crianças, os pais se sentem perdidos na hora de buscar profissionais e informações qualificadas.

O diagnóstico de autismo pode ser feito por médicos e psicólogos. Para um diagnóstico preciso, é importante buscar por profissionais adequados. Isto pode ser feito consultando associações, conselhos e checando a plataforma lattes do CNPq.

Tudo isto para confirmar se o profissional concluiu a formação acadêmica mínima requerida, tem especialização para atuar com autismo e doenças relacionadas e tem registro ativo no conselho profissional da região em que quer atuar. Essa pesquisa deve também deve ser feita na hora de buscar profissionais para as terapias.

O diagnóstico do autismo deve ser realizado através de protocolos e métodos cientificamente validados, um desses protocolos é o M-CHAT, um instrumento de rastreamento precoce de autismo, que visa identificar indícios desse transtorno em crianças entre 18 e 24 meses.

Quanto antes autismo for percebido, maior será o sucesso dos tratamentos. Em geral, os pais e familiares são os primeiros a identificar alterações no desenvolvimento das crianças. Entretanto, é fundamental procurar um profissional qualificado que possa fazer um diagnóstico preciso. Entre os principais sintomas do autismo, estão:

  • Dificuldade de manter contato visual;
  • Ausência de interação com mãe durante a amamentação;
  • Andar na ponta dos pés;
  • Ser extremamente sensível a estímulos táteis, auditivos ou visuais;
  • Dificuldades ou atraso no desenvolvimento da fala;
  • Dificuldade para interagir socialmente: se isolar e não interagir com outras crianças, mesmo em ambientes com outras pessoas;
  • Não atender quando chamados pelo nome, não olhar quando apontamos para algum objeto ou compartilhar interesse e atenção;
  • Separar e alinhar objetos por cor, tamanho ou categoria;
  • Manter comportamentos repetitivos e estereotipados sem finalidade aparente, com bater palmas, estalar os dedos, balançar o corpo ou as mãos;
  • Repetir frases ou palavras em momentos inadequados, sintoma chamado de ecolalia;
  • Girar objetos ou olhar por longos períodos para objetos que giram, como ventiladores ou máquinas de lavar roupa;
  • Ter dificuldade de pensar de forma abstrata, não brincar de faz-de-conta ou fantasia;
  • Não acompanhar os acontecimentos a sua volta, por exemplo, não olhar quando um objeto cai no chão ou se assustar quando alguém grita;
  • Não brincar com os brinquedos de forma convencional, como jogar uma boneca como se fosse uma bola ou se focar em apenas uma parte do brinquedo, como as rodinhas de um caminhão.

A Casulo Comportamento e Saúde conta com uma equipe qualificada que faz uso desses protocolos para realizar a avaliação precoce e diagnostico do autismo.

Além disso, é importante lembrar que melhor será o resultado das intervenções, caso a criança tenha acesso a tratamento cientificamente validado. Terapias sem evidência científica tem pouco ou nenhum resultado e podem agravar os problemas relacionados ao autismo.